sábado, 23 de julho de 2011

A DOUTRINAÇÂO DO ENSINO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA.

Segundo  o professor Luis Lopes Diniz Filho, o  termo "doutrinação" designa as práticas pedagógicas pelas quais são transmitidas visões unilaterais da realidade sob a justificativa de que é necessário "conscientizar" os alunos.
 Tais práticas  consistem em apresentar aos alunos certas teorias e ideologias sem mensionar a existência de perspectivas diferentes ou determinadas visões de mundo como se fossem as únicas.
     Doutrinação no ensino é apresentar aos alunos a única teoria  ou ideologia explicativa da sociedade e descartar todas as outras visões com críticas baseadas nessa mesma teoria ou ideologia.
No Brasil, o esforço para constituir um Sistema Nacional de Ensino teve início após a Revolução de 1930 com o objetivo de garantir a unidade nacional pela inculcação de valores e ideologias nacionalistas nas novas gerações e fortalecer  o caráter nacional que era definido pelo Estado. Nesse sentido, os conteúdos didáticos eram pensados pela ditadura como instrumento para fortalecer o "carater naconal", que era definido pelo Estado e por seus intelectuais seguindo a ideologia conservadora.
 No caso   da Geografia, cabe dizer que, seguindo a influência da Geografia Tradicional, seus manuais possuíam um teor altamente descritivo e a prática de ensino tinha um sentido mnemônico com vistas a demonstrar a existência de um caráter nacional e meio para desenvolver o espírito patriótico e o sentido de unidade nacional.
Foi nesse modelo de ensino que o Brasil continuou após a ditadura de Vargas. Naquela época, o perfil  dos livros didáticos e os conteúdos das aulas de  geografia  eram sempre compostos por exercícios de memorização sem preocupação de explicar os processos sociais. A geografia escolar continuou sendo uma descrição aparenntemente neutra das características ambientais e humanas do território brasileiro, cumprindo a função de difundir a ideologia do Estado em vez de estimular o desenvolvimento da capacidade de reflexão crítica e a autonomia de pensamento.
 Portanto, pode-se afirmar que o sistema de ensino brasileiro nasceu sob a égide de uma concepção autoritária segundo a qual o papel da educação é doutrinar os alunos segundo a visão nacionalista do Estado.
Foi ainda durante a ditadura militar que professores com visões teóricas e ideológicas influenciadas pelo marxismo e outras vertentes anticapitalistas que começaram a usar o sistema de ensino para lutar contra o regime. No caso específico da Geografia, esses professores deram início também à construção de um novo paradigma científico e didático-pedagógico que ficou conhecido como 'geografia crítica e Radical'.
Após o processo de difusão dessa nova abordagem entre geógrafos e professores de geografia, ficou  evidenciado no Congresso realizado pela Associação de Geógrafos Brasileiros - AGB , em 1978, a desvinculação dessa associaçção do IBGE como forma de eliminar a influência do estado autoritário.
O uso da expressão "geografia crítica"tornou-se oficial nos níveis de ensino fundamental e médio com a reforma educacional promovida  pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - Cenp do governo do estado de São paulo, na gestão do governador Franco Montoro de 1983 a 1987.
Como se pode ver, a geografia crítica escolar se difundiu e se fortaleceu no ensino médio e fundamental durante a última ditadura militar brasileira tornando-se hegemônica a partir do início da década de 80.
 A forma de operar essa mudança seria substituir os conteúdos descritivos e padronizados pela discussão de temas motivadores com os alunos, objetivando formar mentes críticas e desenvolver o espírito crítico.
"( . . .) O essencial hoje,  é aprender a aprender, aprender a pensar por conta própria e, principalmente, buscar sempre coisas novas, no entanto, as evidências revelam que na prática  a Geografia Crítica Escolar encontra uma séria dificuldade visto que existe uma contradição entre o discurso antidoutrinador da geocrítica e as práticas e conteúdos didáticos claramente doutrinadores de muitos materiais didáticos.
As razões pelas quais se deve combater firmemente a doutrinação teórica e ideológica no sistema de ensino dizem respeito tanto à construção de uma sociedade democrática quanto`à questão de qualidade de ensino, cabendo aqui lembrar que, como dizem os PCN, ensino de qualidade é aquele que ensina a pensar, que oferece aos educandos visões diferentes da realidade e ferramentas intelectuais para que eles possam analisá-las criticamente e optarem de forma autônoma pela visão que julgarem mais correta
.É exatamente esse tipo de educação que nunca foi, de fato, oferecida no Brasil, cujo sistema nacional de ensino nasceu sobre a égide da doutrinação nacionalista conservadora e hoje permanece refém de uma doutrinação de esquerda, disfarçada por um discurso pluralista, que não se torna realidade nem no conteúdo dos livros didáticos nem no espaço das salas de aula.

                                                                                          Fonte: GEOGRAFIA, Revista
                                                                                          Periódicos do MEC - FNDE.



Um comentário:

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