sábado, 6 de agosto de 2011

O SENTIDO DO CONHECIMENTO HISTÓRICO

De maneira geral, os estudantes questionam os motivos pelos quais devem estudar o passado, uma vez que nem sempre entendem com clareza a sua relação com o presente. Eles consideram que esse conhecimento é desnecessário.

A História assim concebida, já vem sendo questionada há muito tempo mas hoje o conhecimento histórico se reveste de outro sentido, conforme destacou o historiador Edgar Salvadori de Decca
 "A História carrega uma série de outras possibilidades e entendimentos, faz pensar sobre como  as coisas acontecem como os acontecimentos se efetivam e produzem a realidade, quais as tensões em jogo, quais as vontades presentes''

O sentido do conhecimento histórico pressupõe a compreensão de múltiplas realidades, de situações concretas da vida cotidiana e do tempo, condições essenciais para a formação e o desenvolvimento da cidadania.

Estudar História é criar a possibilidade de buscar explicações para as ações dos seres humanos, no passado e no presente. É realizar uma viagem por outros tempos e espaços e, por meio da investigação tentar compreender os caminhos por eles escolhidos, enfatizando as ações sociais,  econômicas e culturais ao longo do tempo, numa época em que não apenas a cultura histórica, mas o próprio sentido do conhecimento histórico parece ser pouco relevante para muitos.

Portanto, o ensino de História contribui para libertar o indivíduo do tempo presente e da imobilidade diante dos acontecimentos, para que possa entender que a cidadania não se constitui em direitos concedidos pelo poder instituído, mas tem sido obtida em lutas constantes e em suas diversas dimensões.

O conhecimento histórico também ganha sentido ao propiciar a formação do pensamento histórico, ou seja, a compreensão das relações que os diversos grupos humanos estabelecem entre si por meio das ações dos múltiplos sujeitos históricos, embora nem sempre a tais ações seja atribuído valor que elas podem ter.

Segundo o historiador André Segal, (. . . ) a  História deve contribuir para a formação do indivíduo comum que enfrenta um cotidiano contraditório, de violência, desemprego, greves, congestionamentos, que recebe informações simultâneas de acontecimentos internacionais, que deve escolher seus representantes para ocupar os vários cargos da política institucionalizada. Este indivíduo que vive o presente deve, pelo ensino ou estudo de História, ter condições de refletir sobre tais acontecimentos, localizá-los em um tempo conjuntural, estabelecer relações entre os diversos fatos de ordem política, econômica e cultural, de maneira que fique preservado das reações primárias: a cólera impotente e confusa contra os patrões, estrangeiros, sindicatos ou o abandono fatalista da força do destino."
Nessa perspectiva, consideram-se os alunos, professores e demais interessados pelos conhecimentos históricos como sujeitos sociais portadores de experiências culturais, e ativos nos seus processos de aprendizagem, sendo capazes de construir, reconstruir e apropriarem-se criticamente dos conhecimentos. Afinal, a História é a disciplina que se refere aos homens, a tantos homens quanto possível, a todos os homens do mundo enquanto se unem entre si em sociedade, e trabalham, lutam e se aperfeiçoam a si mesmos.
                                                                               
  BERUTTI, Flávio - História ,  Ensino Médio
  1ª  edição, Curitiba, PR, Base Editorial, 2010


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